Histórias da Geologia

Este blog pretende ser um espaço de reflexão sobre a evolução do conhecimento geológico ao longo dos tempos, principalmente a partir do século XVII, não esquecendo porém as pequenas histórias que fazem a grande história

quinta-feira, maio 04, 2006

Expedição científica ao Egipto


Num das últimas entradas fiz referência a uma obra onde são relatadas observações recolhidas durante a expedição da Armada francesa ao Egipto, no final do século XVIII (1798), a qual teve também uma componente científica significativa.

Em 1797, após a rápida vitória de Bonaparte em Itália, a conquista do Egipto surgiu como uma oportunidade de domínio sobre as rotas comerciais para a India e, deste modo, como uma forma de atacar o principal inimigo de França - a Inglaterra. Mas a expedição não teve apenas objectivos militares. Bonaparte fez-se rodear de uma comissão de cerca de 150 personalidades ligadas a diversas áreas científicas cujo trabalho no Egipto decorreu com bastantes sobressaltos e dificuldades.

Em 1802, foi decidido reunir e publicar todo o material científico resultante da expedição. Um primeiro volume de gravuras foi apresentado ao imperador em 1808, e os primeiros volumes vão surgir em 1809. A obra, Description de l'Egypte ou Recueil des observations et recherches qui ont faites en Egypte pendant l'éxpedition française, comporta 10 volumes de gravuras, 3 dos quais dedicados à História Natural. Estes volume são acompanhados, por sua vez, de 9 volumes de texto, 2 dos quais também dedicados à História Natural. O rigor das descrições e a beleza das gravuras tornam esta obra absolutamente excepcional.

O trabalho realizado, em termos da geologia, terá sido provavelmente iniciado por Déodat Dolomieu (1750-1801), embora o seu nome não conste dos relatos por este se ter incompatibilizado com Bonaparte e abandonado o Egipto, com o seu assistente Cordier, em 1799. Os textos geológicos que se encontram nesta obra são por isso da autoria de François-Michel de Rozière, que procura servir-se da geologia como meio para compreender a história do Egipto e dos seus monumentos:

'Ce travail offrira donc une manche partuculière. Simple exposé des faits naturels et de leurs conséquences géologiques, il serait dépouillé de sa principale utilité. Ce doit être aussi le dévelloppment des raports du sol de l'Egypte avec les anciens peuples qui l'ont habité, l'ont couvert de leurs monuments, qui, dans le temps les plus reculés, l'ont creusé, traversé, modifié, par leurs travaux dont les vestiges existent encore ...'

Rozière atribuiu grande importância às ilustrações como técnica que permitia ultrapassar dificultades na descrição de rochas e fósseis, tendo por isso existido um cuidado muito particular na elaboração das gravuras.

Para mais informação consultar, de Francine Masson, L'Expédition d'Egypte, em http://www.annales.org/archives/x/ABC.html