Histórias da Geologia

Este blog pretende ser um espaço de reflexão sobre a evolução do conhecimento geológico ao longo dos tempos, principalmente a partir do século XVII, não esquecendo porém as pequenas histórias que fazem a grande história

Segunda-feira, Maio 08, 2006

O Padre Gabriel Malagrida (1689-1761) e o Terramoto de Lisboa


Aproveitei o fim de semana para ir assitir à peça que está no Teatro Trindade, em Lisboa, sobre o Terramoto, em que uns dos personagens importantes é o missionário jesuíta Gabriel Malagrida (1689-1761), um crítico das explicações físicas do fenómeno que publicou, em 1756, um panfleto (Juizo Verdadeiro das Causas dos Terremoto, que padeceo a cidade de Lisboa e todo Portugal, no primeiro de Novembro de 1755), muito polémico no qual ele procura apresentar a catástrofe como um acto da divina intervenção e em que também faz críticas veladas ao Marquês de Pombal, o qual havia ordenado que as causas naturais do fenómeno fossem explicadas às populações. Em 1759, Malagrida foi preso e em 21 de Setembro de 1761 sujeito a um auto-de-fé, o último levado a cabo pela Inquisição Portuguesa, resultado de um clima de intriga política e de perseguição aos jesuítas.


Na peça de teatro a que assisti o Padre Magrida, na presença do Rei D. José I, empunhando a cruz profere a seguinte afirmação:

'Sabei, meu senhor, que os únicos destruidores de tantas casas e palácios, os assoladores de tantos templos e conventos, homicidas de tantos dos habitantes de Lisboa, os incêndios devoradores de tantos tesouros, não são os cometas, as estrelas do céu, não são gazes, vapores ou exalações da terra, não são fenómenos físicos, não são contingências ou causas naturais, mas são unicamente os intoleráveis pecados dos lisboetas, ...'

A que mais tarde o Marquês de Pombal responde:

'Permita-me que diga que, sem desmerecer no magnífico sermão de padre Malagrida, para além da voz do céu existe a voz da terra e, neste caso, Majestade, foi esta que falou; rugiu, Senhor, foi um terramoto que assolou Lisboa, gazes, ar, águas subterrâneas, rochas, grutas que se deslocaram, o cheiro a enxofre e os gazes exalados não deixam dúvidas ...'

Retirado de Oliveira, F. e Real, M. (2006), 1755 O Grande Terramoto. Lisboa: Europress.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

best regards, nice info » »

8:24 AM  
Anonymous Antonio said...

boa tarde, estava pesquisando sobre o padre(nao sobre o terremoto) e acabei esbarrando aqui.
Tem algum material online que vc possa me indicar?
Parabens pelo site, e desculpe pelos acentos(a ausencia deles) problemas de teclado.
Abraços.

6:37 PM  

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